Oito anos depois de conquistar uma vaga no Senado Federal impulsionada por uma campanha ligada ao então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, Soraya Thronicke (PSB) não conseguiu renovar o mandato por Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026.
Em 2018, Soraya disputou a eleição pelo PSL, mesmo partido de Bolsonaro naquele pleito, e recebeu 373.712 votos, equivalentes a 16,19% dos votos válidos para o Senado. Ela terminou em segundo lugar, atrás de Nelsinho Trad, e conquistou uma das duas vagas disponíveis naquele ano.
Na eleição deste domingo (4), porém, o cenário foi diferente. Soraya recebeu 340.788 votos, ou 13,07%, ficando apenas na quarta colocação.
SORAYA PERDE QUASE 33 MIL VOTOS EM OITO ANOS
Comparando diretamente as duas eleições para o Senado, Soraya recebeu 32.924 votos a menos em 2026 do que havia conquistado em 2018.
Em números:
2018: 373.712 votos — 16,19%
2026: 340.788 votos — 13,07%
A redução nominal foi de aproximadamente 8,8% em relação à votação obtida oito anos antes. Em participação percentual nos votos válidos para senador, a queda foi de 3,12 pontos percentuais.
Vale destacar que o eleitorado e o número total de votos válidos mudaram entre as duas eleições, portanto a comparação não permite atribuir automaticamente a queda a um único fator político.
Soraya chegou ao Senado em 2018 em um momento de forte crescimento eleitoral do PSL em todo o País. Jair Bolsonaro disputava a Presidência pelo mesmo partido e terminou aquela eleição eleito presidente da República.
A própria trajetória eleitoral de Soraya ficou marcada pela proximidade inicial com o bolsonarismo. Reportagens da época e posteriores registraram que ela chegou a ser apresentada politicamente como a “senadora do Bolsonaro”.
Durante o mandato, entretanto, a relação mudou.
Soraya passou a fazer críticas ao então presidente e a integrantes do grupo político de Bolsonaro, principalmente a partir do período da pandemia de Covid-19. Posteriormente, deixou o campo político no qual havia sido eleita e passou por outras legendas.
DISTANCIAMENTO DE BOLSONARO E APROXIMAÇÃO COM LULA
Nos anos seguintes, Soraya se afastou definitivamente do grupo de Bolsonaro. Em 2022, pelo União Brasil, chegou a disputar a Presidência da República contra Bolsonaro e Lula, terminando a eleição nacional com cerca de 600 mil votos.
Já durante o terceiro governo Lula, a senadora passou a votar favoravelmente em diversas matérias defendidas pelo Palácio do Planalto.
Levantamento publicado pelo Correio do Estado mostrou que, nas votações abertas analisadas durante 2025, Soraya votou 27 vezes a favor de propostas defendidas pelo governo Lula e nenhuma vez contra.
Em 2026, a aproximação política ficou ainda mais clara. Filiada ao PSB, Soraya disputou a reeleição dentro da coligação “Por um MS do Povo”, formada pelo PSB, PDT e pela Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV.
A candidatura de Soraya à reeleição também recebeu apoio político de Lula. Em julho, ela confirmou sua pré-candidatura após aparecer publicamente ao lado do presidente.
DUAS VAGAS FICARAM COM O PL
A tentativa de reeleição terminou com Soraya fora das duas vagas disponíveis.
Com 100% das urnas apuradas, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito com 903.554 votos, ou 34,64%.
A segunda vaga ficou com Capitão Contar (PL), que recebeu 856.045 votos, equivalentes a 32,82%.
O deputado federal Vander Loubet (PT) terminou em terceiro lugar, com 361.920 votos, ou 13,88%.
Soraya ficou logo atrás:
Reinaldo Azambuja (PL): 903.554 votos — 34,64%
Capitão Contar (PL): 856.045 votos — 32,82%
Vander Loubet (PT): 361.920 votos — 13,88%
Soraya Thronicke (PSB): 340.788 votos — 13,07%
Assim, as duas vagas de Mato Grosso do Sul para o Senado ficaram com candidatos do PL.
MUDANÇA POLÍTICA MARCOU O MANDATO
A trajetória de Soraya entre as eleições de 2018 e 2026 passou por uma mudança significativa de alianças.
Ela entrou no Senado pelo mesmo partido de Jair Bolsonaro, rompeu posteriormente com o ex-presidente, concorreu contra ele ao Planalto em 2022 e encerrou o mandato tentando a reeleição em uma aliança integrada pelo PT e com apoio de Lula.
Os números mostram que sua votação para o Senado caiu de 373.712 para 340.788 votos. Entretanto, não é possível concluir apenas pelos resultados eleitorais que a mudança de posicionamento político tenha sido a causa direta da redução.
Com a derrota, Soraya Thronicke encerra seu mandato no Senado em 31 de janeiro de 2027, após oito anos representando Mato Grosso do Sul.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral, Senado Federal, CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Correio do Estado.