Mato Grosso do Sul já soma 10.268 casos prováveis de chikungunya nos primeiros quatro meses de 2026, número que representa 73% de todos os registros contabilizados no ano passado, quando o Estado fechou com 14.148 casos. A doença também já provocou 14 mortes neste ano.
O avanço preocupa porque a chikungunya já foi registrada em 76 dos 79 municípios sul-mato-grossenses. Apenas Alcinópolis, Aparecida do Taboado e Japorã não aparecem com notificações no sistema oficial. Do total atual, 4.290 casos foram confirmados e 5.978 ainda aguardam resultado de exames.
As mortes estão concentradas em quatro cidades. Dourados registra a maior parte dos óbitos, com nove casos. Bonito e Jardim somam duas mortes cada, enquanto Fátima do Sul tem uma.
Em 2025, Mato Grosso do Sul teve 17 mortes pela doença durante todo o ano.
A incidência estadual chegou a 351,1 casos por 100 mil habitantes, índice muito acima da média nacional, que é de 17,7. Com isso, Mato Grosso do Sul lidera o ranking brasileiro de incidência da chikungunya em 2026. O Estado também concentra 14 das 21 mortes confirmadas no país, o equivalente a 67% dos óbitos nacionais.
Dourados segue como um dos principais focos da doença. O município enfrentou forte avanço nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados, e depois viu os casos se espalharem pela zona urbana. A cidade chegou a decretar situação de calamidade em saúde pública devido à gravidade do cenário e à sobrecarga da rede de atendimento.
Ao todo, 23 municípios estão em situação epidêmica. Entre eles aparecem Sete Quedas, Fátima do Sul, Douradina, Jardim, Corumbá, Dourados, Amambai, Bonito, Aquidauana, Itaporã, Ladário e Iguatemi. Sete Quedas tem uma das maiores incidências, com 4.020,4 casos por 100 mil habitantes.
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika. A doença costuma causar febre alta, dores intensas nas articulações e pode deixar sequelas prolongadas. A recomendação é buscar atendimento médico logo nos primeiros sintomas, principalmente no caso de idosos, crianças e pessoas com maior risco de complicações.
A vacinação contra a chikungunya já começou em cidades como Itaporã e Dourados, inicialmente para pessoas de 18 a 59 anos sem comorbidades. Mato Grosso do Sul recebeu 20 mil doses, com previsão de chegar a 46,5 mil. Gestantes, lactantes, imunossuprimidos, pacientes em tratamento oncológico, transplantados recentes e pessoas com febre estão entre os grupos que não devem receber o imunizante nesta fase.