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Famílias do PA Flórida em Sidrolândia acionam MP contra usina de resíduos

Comunidade do P.A. Flórida leva ao Ministério Público denúncia sobre riscos ambientais e desvio de finalidade da área rural

Redação
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Famílias do PA Flórida em Sidrolândia acionam MP contra usina de resíduos

Acesso ao Assentamento Flórida - Foto SN

Famílias do assentamento Flórida recebendo atendimento por instituições durante Dia D no Campo
Famílias do assentamento Flórida recebendo atendimento por instituições durante Dia D no Campo

Moradores do Projeto de Assentamento Flórida, em Sidrolândia (MS), protocolaram no Ministério Público Estadual uma denúncia para tentar barrar a instalação de uma unidade de triagem de recicláveis com compostagem de resíduos orgânicos dentro da área do assentamento. O empreendimento já recebeu parecer favorável da secretaria municipal responsável pelo meio ambiente.

Pelos documentos anexados à representação, o projeto prevê a instalação de uma estrutura para separar materiais recicláveis e realizar a compostagem de restos de podas, galhos e outros resíduos orgânicos, com circulação de caminhões e acúmulo temporário de materiais em um dos lotes do assentamento. A atividade é classificada, no processo de licenciamento, como unidade de triagem e processamento de resíduos.

A associação que representa as famílias afirma que o P.A. Flórida foi criado para moradia e produção da agricultura familiar e que transformar um lote em ponto de recebimento e tratamento de resíduos descaracteriza a finalidade da reforma agrária na região. A denúncia sustenta que a mudança de uso viola normas agrárias, contratos de concessão dos lotes e regras de financiamento rural, que limitam o emprego da terra à produção agrícola e à residência das famílias.

Estrada que da acesso aos pequenos produtores do Assentamento Flórida - Foto Arquivo
Estrada que da acesso aos pequenos produtores do Assentamento Flórida - Foto Arquivo

No campo ambiental, o documento encaminhado ao Ministério Público alega risco à saúde e à qualidade de vida dos moradores. Entre as preocupações listadas estão possível proliferação de vetores (moscas, insetos e animais peçonhentos), odores fortes, contaminação de solo e água e aumento do tráfego de veículos pesados próximo às casas. A representação cita artigos da Constituição Federal que garantem o direito ao meio ambiente equilibrado e à saúde, bem como dispositivos do Código Estadual de Meio Ambiente, do Sistema Estadual de Meio Ambiente (SISMAC) e da lei que rege a política agrícola de Mato Grosso do Sul.

Os moradores também questionam o fato de o licenciamento ter sido concedido sem consulta prévia às famílias do assentamento. Segundo o texto, a autorização municipal teria sido dada em “rapidez questionável”, enquanto a regularização de uma área de reserva ambiental da própria comunidade teria levado anos.

Para reforçar a posição da comunidade, a associação anexou a ata de uma assembleia geral extraordinária realizada em 23 de novembro. O documento, registrado em livro próprio, mostra que, após discussão específica sobre o projeto entre as famílias, foram contabilizados apenas 1 voto favorável.

A assembleia decidiu que a associação buscaria todos os meios legais para impedir o início da atividade em qualquer lote do assentamento.

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Outro documento protocolado é um requerimento apresentado por um morador à secretaria municipal de meio ambiente pedindo cópia integral do processo de licenciamento ambiental, incluindo estudos, laudos e pareceres. O pedido solicita que todas as respostas sejam feitas por escrito e encaminhadas por e-mail, como forma de garantir transparência na tramitação.

Em resposta anterior a questionamentos da comunidade, a secretaria municipal responsável pelo licenciamento afirmou, em parecer técnico, que o empreendimento não se trata de “lixão” a céu aberto, mas de unidade controlada de triagem e compostagem. O texto lista medidas de mitigação, como manejo adequado do percolado, controle de odores, pulverização de água para contenção de poeira e manutenção de equipamentos para reduzir ruídos. O parecer registra que a área indicada não invade reserva legal nem área de preservação permanente apontadas no Cadastro Ambiental Rural e conclui que não há impedimentos ambientais para a atividade no local proposto.

A denúncia apresentada ao Ministério Público pede a abertura de procedimento administrativo para apurar a intenção de instalar o centro de resíduos em área de assentamento; a notificação da Prefeitura, de órgãos ambientais e de entidades ligadas à reforma agrária para prestarem informações sobre qualquer autorização já concedida ou em análise; a suspensão imediata de atos administrativos que permitam o início da atividade; e a proibição da instalação da unidade de resíduos em qualquer lote do P.A. Flórida. Em último caso, a associação solicita que seja cogitada a propositura de ações coletivas para resguardar o meio ambiente e os direitos das famílias assentadas.

O Ministério Público deve analisar a documentação recebida e poderá requisitar novas informações à administração municipal, aos órgãos ambientais e à empresa responsável pelo projeto.

Tanto o município quanto a empresa podem se manifestar sobre o caso; o espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos oficiais.

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