Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (24) em Mato Grosso do Sul colocou agentes das forças de segurança entre os principais alvos de uma investigação sobre desvio e comercialização de drogas apreendidas.
A Operação Infiltrados cumpre 26 ordens de prisão, além de dezenas de mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Terenos.
POLICIAIS ESTÃO ENTRE OS ALVOS
De acordo com o Campo Grande News, até o período da manhã haviam sido cumpridos mandados de prisão preventiva contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.
Ao todo, a operação prevê o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão.
A investigação é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e teve início em outubro de 2025, a partir de elementos encontrados durante outras duas operações, denominadas Traquetos e Blindspot.
DROGAS APREENDIDAS TERIAM SIDO DESVIADAS
Conforme informações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a investigação aponta que integrantes da organização criminosa teriam utilizado suas próprias funções dentro da segurança pública para desviar entorpecentes apreendidos em ocorrências policiais.
Uma das formas investigadas seria a omissão de parte da quantidade de droga efetivamente apreendida nos registros oficiais. Outra prática apontada seria a retirada de entorpecentes diretamente de depósitos de delegacias.
Posteriormente, essas drogas teriam sido entregues a traficantes ligados ao grupo investigado e novamente colocadas em circulação no mercado ilegal.
COCAÍNA ESTÁ ENTRE AS DROGAS INVESTIGADAS
A apuração tem atenção especial para o suposto desvio de cocaína. Segundo as informações divulgadas, agentes públicos que deveriam atuar no combate ao crime são investigados justamente pela suspeita de terem utilizado suas posições para abastecer integrantes do tráfico.
O nome “Infiltrados” faz referência, segundo a reportagem, à suspeita da presença de integrantes da organização criminosa dentro de órgãos da segurança pública e ao possível uso das estruturas do Estado para facilitar as atividades ilícitas investigadas.
OPERAÇÃO MOBILIZA CORREGEDORIAS E FORÇAS DE SEGURANÇA
A ação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, Corregedoria da Polícia Militar, Batalhão de Choque, Bope e Polícia Institucional do Ministério Público Federal.
A OAB/MS também acompanhou diligências realizadas na residência de uma advogada. Já a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que se manifestaria por meio de nota.
As investigações continuam e as responsabilidades individuais dos alvos deverão ser apuradas no decorrer do procedimento.