A investigação que apura um suposto esquema de desvio milionário de recursos da Santa Casa de Campo Grande ganhou novos desdobramentos. Documentos da Operação Antidotum apontam que servidores públicos estaduais e municipais teriam sido utilizados para realizar saques em espécie de valores considerados incompatíveis com suas rendas formais.
A operação foi deflagrada na sexta-feira (11) pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ligados ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Até esta etapa da investigação, o prejuízo apontado é de aproximadamente R$ 4,9 milhões, mas o montante ainda está sendo apurado.
Dinheiro teria sido sacado e distribuído
Segundo informações constantes nos autos, empresas investigadas teriam recebido recursos e funcionado como contas de passagem. Parte dos valores seria rapidamente sacada em espécie ou transferida para pessoas físicas e outras empresas.
O MPMS identificou movimentações que, segundo a investigação, indicariam um processo de pulverização dos recursos.
Entre os casos apontados estão funcionários de empresas que recebiam aproximadamente R$ 2,4 mil mensais, mas teriam realizado 16 saques entre julho de 2024 e maio de 2025, totalizando R$ 675.999,98.
A investigação também alcançou servidores públicos.
Uma servidora lotada na Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems), com remuneração mensal informada de R$ 11.504,66, teria realizado oito saques em espécie, no período entre julho de 2024 e maio de 2025.
As retiradas teriam alcançado R$ 575.380, valor considerado pelos investigadores incompatível com sua renda formal.
Contratos estão no centro da investigação
Uma das frentes da Operação Antidotum envolve um contrato para digitalização de prontuários médicos da Santa Casa.
O acordo previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, chegando a R$ 5,4 milhões. A investigação aponta que os pagamentos não teriam correspondido ao volume de serviços efetivamente executados.
Somente no primeiro ano, o suposto prejuízo relacionado a esse contrato teria alcançado R$ 1,4 milhão.
Outra parte da investigação envolve contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde com empresas que teriam vínculos entre si e com pessoas relacionadas à administração da instituição.
Somente em 2025, essas empresas receberam aproximadamente R$ 9,6 milhões. Os investigadores estimam prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões nessa frente.
Somados aos R$ 1,4 milhão relacionados à digitalização dos prontuários, o valor investigado chega a cerca de R$ 4,9 milhões.
Seis investigados permanecem presos
Após audiência de custódia realizada no sábado (12), a Justiça manteve as prisões preventivas de seis investigados, entre eles integrantes da administração da Santa Casa, uma funcionária ligada ao setor de prontuários e um empresário.
As prisões preventivas não representam condenação, e a investigação continua para determinar a participação individual de cada pessoa e a extensão dos possíveis prejuízos.
Após a operação, a Santa Casa de Campo Grande informou que está colaborando com as autoridades e que aguardava acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações. A instituição também afirmou que os atendimentos à população seguem normalmente.