Mato Grosso do Sul chegou a 30 mortes provocadas pela chikungunya em 2026. A atualização ocorreu após a confirmação do 18º óbito em Dourados, município que permanece como o principal foco da doença no Estado.
A vítima era uma mulher de 46 anos. Ela começou a apresentar os sintomas no dia 13 de abril e morreu em 8 de julho. A paciente tinha hipertensão arterial e diabetes. Sua identidade foi preservada.
Dourados contabiliza 5.125 casos confirmados de chikungunya. O município concentra sozinho 60% das mortes registradas em território sul-mato-grossense, evidenciando a gravidade da circulação do vírus na região.
Mato Grosso do Sul responde por 60% dos óbitos do país
O cenário estadual também chama atenção quando comparado aos números nacionais. Das 50 mortes confirmadas no Brasil em 2026, 30 ocorreram em Mato Grosso do Sul. Isso significa que o Estado responde por 60% dos óbitos provocados pela doença no país.
Até 1º de agosto, Mato Grosso do Sul acumulava 12.473 casos prováveis. Os dados ainda podem sofrer alterações com a conclusão de investigações e a atualização das informações enviadas pelos municípios.
Antes da confirmação em Dourados, Corumbá havia registrado sua primeira morte por chikungunya no ano, elevando o total estadual para 29. O novo caso douradense fez o número chegar a 30.
Além de Dourados e Corumbá, mortes relacionadas à doença já foram identificadas em municípios como Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna, Itaporã,
Ponta Porã e Nioaque.
Dourados concentra a maior quantidade de vítimas
Dourados atravessa uma situação especialmente preocupante desde o início de 2026. Com 18 mortes confirmadas, a cidade concentra mais da metade dos óbitos de Mato Grosso do Sul.
Os números aumentaram rapidamente ao longo do ano. Em maio, o município contabilizava 13 vítimas e 4.306 casos confirmados. Agora, são 18 mortes e mais de 5,1 mil confirmações.
O avanço da doença atingiu diferentes faixas etárias e comunidades. Entre as vítimas contabilizadas durante o ano estão crianças, adultos e idosos, alguns com doenças preexistentes. A população indígena também foi fortemente afetada pela circulação do vírus na região.
Doença pode deixar dores por meses ou anos
A chikungunya é uma doença viral transmitida principalmente pela picada da fêmea infectada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue e da zika.
Os sintomas mais comuns são febre de início repentino, dores intensas nas articulações, inchaço, dor muscular, dor de cabeça, manchas vermelhas na pele, náusea e cansaço.
Uma das principais diferenças em relação à dengue é a intensidade das dores articulares. Em parte dos pacientes, o desconforto pode continuar por meses ou até anos, prejudicando os movimentos e a realização de atividades cotidianas.
Casos graves podem provocar complicações neurológicas, cardíacas, renais e respiratórias, além de exigir internação hospitalar. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes precisam de acompanhamento especial.
População deve eliminar criadouros
O combate ao mosquito continua sendo a principal forma de prevenção. Recipientes que possam acumular água devem ser eliminados ou mantidos completamente fechados.
Caixas-d’água precisam permanecer tampadas. Calhas devem ser limpas, garrafas guardadas com a boca para baixo e pratos de vasos preenchidos com areia. Pneus, latas, embalagens, piscinas sem manutenção e objetos abandonados no quintal também podem se transformar em criadouros.
Quem apresentar febre, dor intensa nas articulações, manchas pelo corpo ou outros sintomas deve procurar uma unidade de saúde. A automedicação deve ser evitada, principalmente porque os sinais iniciais podem ser confundidos com dengue e outras doenças.