Eleita com apoio do eleitorado de centro-direita e hoje peça-chave do governo Lula, chefe do Planejamento posterga para janeiro definição sobre candidatura e embaralha estratégia petista em Mato Grosso do Sul
A ministra do Orçamento e Planejamento, Simone Tebet (MDB), decidiu empurrar para meados de janeiro de 2026 a conversa definitiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre seu futuro político. A definição estava prevista, nos bastidores, para dezembro deste ano. O adiamento prolonga a condição de “grande incógnita” do xadrez eleitoral sul-mato-grossense e trava, por tabela, os planos do PT no MS
A trajetória da ministra ajuda a explicar a tensão. Eleita e consolidada em Mato Grosso do Sul apoiada por bases conservadoras, ligadas ao agronegócio e ao campo de centro-direita, ela integrou e deu sustentação ao governo Jair Bolsonaro no Senado antes de romper na CPI da Covid e migrar para a chamada “frente democrática” que apoiou Lula em 2022. Esse giro é visto por antigos aliados como “traição” política e derrubou sua popularidade junto ao eleitorado bolsonarista no Estado.
Hoje, instalada em um dos ministérios mais estratégicos do Planalto, Simone se tornou peça central da estratégia de reeleição de Lula. O presidente avalia usá-la como nome de peso no palanque de 2026 em Mato Grosso do Sul, seja na disputa pelo Senado, seja até em uma eventual candidatura ao governo, sempre atrelada à campanha nacional petista.
O problema é que o PT local continua em compasso de espera. Dirigentes já trabalham com pré-candidaturas próprias – como as de Fábio Trad ao governo e Vander Loubet ao Senado –, mas admitem que o desenho final depende diretamente da decisão da ministra e da conversa dela com Lula.
Enquanto ela não se define, o partido evita bater o martelo sobre alianças, chapas e prioridades regionais.
Pesquisas recentes mostram um quadro aberto na disputa pelas duas vagas de senador no Estado, com vários nomes em empate técnico e alto índice de indecisos, cenário em que a entrada ou saída de Simone pode redesenhar completamente o jogo. Ao mesmo tempo, avaliações internas indicam que o prestígio da ministra junto ao eleitorado sul-mato-grossense está longe do auge, em boa medida pelo desgaste causado pelo rompimento com a direita e pela associação direta ao governo de esquerda de Lula.
Na prática, o adiamento da decisão mantém todos os atores em suspensão: a direita, que ainda tenta se reorganizar após o enfraquecimento do bolsonarismo no Estado; o MDB, que quer preservar o espaço da ministra no governo e nas urnas; e o PT, que precisa fechar logo seu projeto para tentar voltar ao comando político de Mato Grosso do Sul em 2026. Até que Simone e Lula sentem à mesa em janeiro, o tabuleiro continua embaralhado – e o custo político da indecisão cresce a cada semana.