O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida passa a valer a partir desta terça-feira (9) e foi adotada após a notificação de 42 casos de reações adversas consideradas severas em pessoas que receberam a vacina.
Entre os casos acompanhados pelas autoridades sanitárias, três foram classificados como mais graves. Dois evoluíram para morte e seguem em investigação. Até o momento, o governo federal afirma que não há comprovação de relação direta entre os óbitos e a aplicação da vacina.
A suspensão ocorre enquanto equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Anvisa e do Instituto Butantan analisam os dados clínicos, exames, histórico dos pacientes e possíveis fatores associados aos quadros graves. Cerca de 500 mil doses do imunizante já haviam sido aplicadas no país.
A vacina do Butantan é considerada um marco para o Brasil por ser a primeira contra a dengue produzida integralmente no país e a primeira no mundo com esquema de dose única. O registro do imunizante foi publicado pela Anvisa em 2025, com previsão de continuidade dos estudos e monitoramento ativo após o início da aplicação na população.
Com a decisão, a estratégia de vacinação em andamento fica interrompida até nova avaliação dos dados de segurança. A suspensão não significa, neste momento, que a eficácia da vacina tenha sido descartada. A medida tem caráter preventivo e busca esclarecer se há ou não vínculo entre os eventos adversos e o imunizante.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento caso apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
As ocorrências graves citadas envolvem quadros compatíveis com dengue grave, choque, internação em UTI e comprometimento neurológico. Os casos foram registrados em diferentes regiões do país, incluindo Minas Gerais, Ceará, São Paulo e Tocantins.
A vacinação contra a dengue vinha sendo tratada como uma das principais apostas do país para ampliar a proteção da população contra a doença, que segue provocando surtos recorrentes em várias regiões brasileiras. Agora, a continuidade da campanha dependerá da conclusão das análises de segurança.