A Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) divulgou uma nota oficial na noite deste domingo (14) repudiando a ocupação de três propriedades rurais em Sidrolândia por indígenas da etnia Terena. A entidade classificou os acontecimentos como atos de violência e defendeu que disputas envolvendo posse e propriedade sejam solucionadas exclusivamente por meio das instituições competentes e do Poder Judiciário.
Segundo a Acrissul, a ocupação teve início no sábado (13), nas fazendas São Sebastião, Água Clara e Vassoura, envolvendo cerca de dois mil indígenas. Durante a ação, foram registrados incêndios em residências da fazenda, destruição de máquinas agrícolas, queima de insumos e de uma ponte de acesso, além de relatos de furto de gado, cavalos e outros bens. Trabalhadores também teriam sido intimidados, mantidos sob ameaça e privados da liberdade durante parte da ocorrência.
A entidade destacou que "eventuais disputas sobre posse ou propriedade devem ser resolvidas exclusivamente pelos meios legais e pelas instituições competentes", reforçando que a garantia da propriedade privada, o respeito ao Estado de Direito e a segurança jurídica são fundamentais para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul e do Brasil.
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) também divulgou nota de repúdio, manifestando solidariedade aos produtores rurais e cobrando investigação dos fatos e responsabilização dos envolvidos nos atos de violência registrados durante a ocupação.
Desocupação ocorreu após mediação
No domingo (14), equipes da Polícia Militar, incluindo Força Tática, Batalhão de Choque e apoio aéreo, foram mobilizadas para a região. A desocupação das propriedades ocorreu após uma mediação conduzida pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Ministério dos Povos Indígenas.
Disputa pela Terra Indígena Buriti
O conflito está relacionado à reivindicação da Terra Indígena Buriti. A área foi reconhecida por portaria da Funai em 2001, porém o processo de demarcação permanece sem conclusão desde 2013. Parte do território reivindicado ainda pertence a propriedades privadas, cenário que mantém o impasse fundiário na região há mais de uma década.