Cinco mulheres foram assassinadas em um intervalo de apenas oito dias em Mato Grosso do Sul. Os crimes ocorreram entre 30 de julho e 6 de agosto em Água Clara, Corumbá, Dourados, Paranhos e Rio Verde de Mato Grosso.
O intervalo representa uma média de uma mulher morta a cada 38 horas no estado. Todas as vítimas foram atacadas com facas ou facões. Na maioria dos casos, os principais suspeitos eram companheiros ou ex-companheiros.
A sequência de crimes alcançou diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, incluindo municípios do leste, oeste, norte e sul, além da faixa de fronteira e de comunidades indígenas. Quatro ocorrências terminaram com a prisão de pelo menos uma pessoa. No caso mais recente, o homem apontado como principal suspeito fugiu e continuava sendo procurado até a última atualização.
Primeira morte ocorreu em Água Clara
A sequência começou na noite de 30 de julho, em Água Clara. Uma mulher de 45 anos foi atacada pelo ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento.
A vítima chegou a ser socorrida e precisou ser transferida para uma unidade hospitalar de outra cidade, mas não resistiu. O suspeito, de 32 anos, foi localizado e preso pouco tempo depois. O caso passou a ser investigado como feminicídio.
Segundo crime aconteceu em Corumbá
No dia seguinte, 31 de julho, uma mulher de 26 anos foi assassinada dentro de uma residência em Corumbá. O ex-companheiro, de 49 anos, foi apontado como principal suspeito e acabou preso em flagrante.
As duas mortes ocorreram em um intervalo inferior a 24 horas, fazendo julho terminar como o mês mais violento de 2026 para as mulheres em Mato Grosso do Sul, com cinco feminicídios contabilizados.
Agosto começou com três mortes
A violência continuou nos primeiros dias de agosto. No dia 2, uma mulher de 41 anos foi encontrada morta em uma estrada de acesso à Aldeia Jaguapiru, em Dourados.
Uma mulher de 50 anos foi presa durante a investigação. O atual companheiro da vítima também passou a ser investigado por possível participação no crime. A prisão da suspeita foi posteriormente convertida em preventiva.
O quarto caso aconteceu no dia 5, na Aldeia Arroyo Corá, em Paranhos. Uma jovem de 22 anos foi encontrada morta dentro da residência onde vivia. O companheiro, de 27 anos, foi preso e passou a responder pela suspeita de feminicídio.
Menos de 24 horas depois, uma mulher de 26 anos foi assassinada em Rio Verde de Mato Grosso. O companheiro foi apontado como principal suspeito. Ele teria fugido de motocicleta depois do crime e continuava sendo procurado.
Total de feminicídios apresenta divergência
O levantamento utilizado na reportagem aponta que Mato Grosso do Sul chegou a 20 feminicídios em 2026. Outras apurações jornalísticas contabilizam 21 vítimas no mesmo período.
A diferença pode estar relacionada ao momento de atualização dos sistemas e à classificação de cada morte durante as investigações. O painel estadual ainda não apresentava todas as ocorrências recentes quando os levantamentos foram publicados.
Até 1º de agosto, antes dos três casos do início do mês, Mato Grosso do Sul contabilizava mais de 12,2 mil mulheres atendidas por situações de violência doméstica em 2026. Também haviam sido concedidas 10.806 medidas protetivas.
Estado possui uma das maiores taxas do país
Mato Grosso do Sul terminou 2025 com 39 feminicídios e taxa de 2,6 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres. O índice colocou o estado na quarta posição nacional, atrás apenas de Acre, Rondônia e Mato Grosso. A média brasileira foi de 1,43 feminicídio por 100 mil mulheres.
A residência aparece como o principal local desses crimes. Dados referentes ao período entre 2021 e 2024 apontam que aproximadamente 66% dos feminicídios aconteceram dentro de casa, geralmente ligados a relações marcadas por controle, ameaças, ciúmes e violência anterior.
Desde outubro de 2024, o feminicídio é um crime autônomo no Código Penal. A pena prevista varia de 20 a 40 anos de prisão e pode ser aumentada em determinadas circunstâncias.
Onde procurar ajuda
Mulheres ameaçadas ou em situação de violência podem procurar a rede de atendimento antes que as agressões aumentem. Familiares, vizinhos e testemunhas também podem denunciar.
O Ligue 180 funciona gratuitamente durante 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. O canal oferece orientações, informa os serviços mais próximos e encaminha denúncias. O atendimento está disponível para vítimas e qualquer pessoa que queira denunciar.
Em situações de perigo imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190. Denúncias anônimas em Mato Grosso do Sul também podem ser feitas pelo 181.