Três crianças, com idades de 3, 6 e 8 anos, foram encontradas em situação de abandono dentro de uma residência no município de Jardim, na manhã desta terça-feira. A ocorrência mobilizou a Polícia Militar e o Conselho Tutelar após denúncias de que uma criança chorava e pedia ajuda no portão do imóvel.
A equipe foi acionada por volta das 9h para averiguar possível abandono de incapaz. No local, os policiais encontraram uma criança pequena sentada junto ao portão da casa, chorando e pedindo socorro, conforme relatos de pessoas que passavam pela via. Ela apresentava sinais de sede e informou que estava sozinha com os dois irmãos desde o dia anterior.
Após os primeiros cuidados, a criança relatou que não havia água potável disponível na residência. Uma vizinha informou que a situação era recorrente e que as crianças frequentemente permaneciam sozinhas, principalmente no período da manhã, o que motivou o acionamento da Polícia.
O Conselho Tutelar foi chamado e, com apoio da PM, teve acesso ao interior da residência. No quintal, foi constatado acúmulo de sujeira e diversas garrafas de bebida alcoólica. Dentro da casa, os outros dois irmãos foram encontrados dormindo.
A mãe compareceu posteriormente ao local e afirmou que saiu para trabalhar ainda na madrugada, deixando os filhos sozinhos por não ter condições financeiras de pagar alguém para cuidar das crianças. Ela confirmou que costuma trancar a residência ao sair. Segundo relatado, a criança mais nova teria escapado por uma fresta em uma janela quebrada, improvisadamente fechada com fita. Próximo ao local havia garrafas quebradas, representando risco iminente de ferimentos.
O pai das duas crianças mais velhas também foi localizado. Ele declarou ter conhecimento da situação frequente de abandono, mas afirmou que não tomou providências para mudar o quadro.
Diante dos fatos, ficou caracterizado abandono de incapaz por parte da mãe e abandono por omissão em relação ao pai. Ambos foram encaminhados à Delegacia de Atendimento à Mulher de Jardim para as medidas legais.
As três crianças foram entregues à avó materna, que assumiu a responsabilidade legal pelos menores, sob termo formal, garantindo a segurança imediata deles.