A política em Mato Grosso do Sul assistiu, nos últimos anos, a uma das maiores reviravoltas de sua história recente. Duas figuras que ganharam projeção nacional em campos opostos ao PT — uma por herança partidária e outra pela onda bolsonarista — tornaram-se peças fundamentais na sustentação do governo Lula em Brasília.
Simone Tebet: A "Terceira Via" que virou Ministra
Simone Tebet sempre manteve uma postura de centro-direita moderada, mas sua ruptura com o bolsonarismo consolidou-se durante a CPI da Pandemia. Em 2022, após disputar a presidência como uma alternativa de centro, Tebet tomou a decisão que mudaria sua carreira: o apoio decisivo a Lula no segundo turno.
A Recompensa: O gesto não foi apenas simbólico. Tebet foi nomeada Ministra do Planejamento e Orçamento, tornando-se a "fiadora" da responsabilidade fiscal dentro de um governo de esquerda.
Cenário 2026: Em janeiro de 2026, a ministra já começou a discutir sua desincompatibilização do cargo para disputar novamente o Senado, desta vez com o respaldo direto do Palácio do Planalto.
Soraya Thronicke: Da "Onda 17" ao diálogo com a esquerda
O caso de Soraya é, para muitos eleitores de MS, ainda mais surpreendente. Eleita em 2018 sob o slogan "a senadora do Bolsonaro", Soraya rompeu com o ex-presidente ainda no início do mandato, alegando que ele havia abandonado as bandeiras do combate à corrupção e do liberalismo.
O "Giro": Se em 2022 ela trocou farpas com Lula nos debates (o famoso episódio da "onça"), em 2024 e 2025 sua postura mudou. Soraya passou a atuar de forma independente, mas frequentemente votando com o governo em pautas econômicas e aparecendo em fotos de mãos dadas com o presidente em eventos institucionais.
Estratégia: Agora no partido Podemos, Soraya busca um caminho de "centro real", tentando equilibrar sua verve liberal com a necessidade de trazer recursos para o estado através da proximidade com o Executivo.
Diferente de nomes que sustentam bandeiras ideológicas, o senador Nelsinho Trad consolidou-se como um político de conveniência. Filiado ao PSD — partido que se define como "nem de direita, nem de esquerda, nem de centro" —, Trad tem sido um facilitador para o atual governo no Senado.
NELSINHO TRAD
Para o eleitor de cidades como Sidrolândia e o interior do estado, a postura do senador é vista como uma distância dos valores que o elegeram. Enquanto o MS clama por oposição e firmeza contra pautas da esquerda, o parlamentar foca na manutenção de espaços políticos e na liberação de emendas, mantendo uma neutralidade que, na prática, beneficia a gestão federal.