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Enquanto o café dispara nas prateleiras, o governo brinca de provocações com Trump e Musk — e quem amarga a conta é o brasileiro

Enquanto tarifas dos EUA e clima reduzem a oferta, governo Lula aposta em ironias contra Trump e polêmicas diplomáticas, agravando a crise do café

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O estopim mais recente veio de Washington. No fim de agosto, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro, tornando os embarques praticamente inviáveis. A medida, que faz parte da guerra comercial entre as duas maiores economias das Américas, gerou impacto imediato: as cotações do arábica na bolsa de Nova York subiram mais de 30% em poucos dias.

Especialistas apontam que, diante do cenário, seria esperado que o governo brasileiro tentasse negociar uma saída diplomática. Mas, em vez disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu o caminho da provocação. Em declarações recentes, ironizou Donald Trump, sugerindo “chupar jabuticaba” em tom de deboche.

O episódio, somado à polêmica em que a primeira-dama fez comentários ácidos contra o bilionário Elon Musk — figura próxima de Trump e influente no cenário americano — acabou por azedar ainda mais as relações bilaterais.

Clima severo e safra frustrada

A tensão política soma-se a um problema recorrente: o clima. O Brasil, maior produtor mundial, colheu uma safra 10% menor do que a esperada. Geadas recentes e períodos de seca comprometeram lavouras, enquanto excesso de chuvas em regiões produtoras do Vietnã agravou ainda mais a escassez global.

“Estamos diante de uma tempestade perfeita. Menor oferta, tarifas que restringem o comércio e demanda aquecida puxam o preço para cima”, afirma um exportador ouvido pela Reuters.

Demanda crescente e especulação

Enquanto a oferta encolhe, a demanda continua em expansão. Na China, o consumo de café cresceu 150% nos últimos anos. Já na Europa, grandes importadores anteciparam compras por conta das novas regras ambientais.

O quadro ainda foi agravado por fundos de hedge e especuladores, responsáveis por cerca de 80% da recente disparada, segundo executivos da Lavazza.

Pressão no varejo

Nos Estados Unidos, o impacto já chegou às prateleiras. O preço médio do café moído bateu US$ 8,41 por libra em julho de 2025, alta de 84% frente a 2021. Empresas como a J.M. Smucker reportaram queda de lucros, enquanto consumidores passaram a estocar pacotes de café temendo novos aumentos.

No Brasil, o efeito deve aparecer nos próximos meses, com expectativa de repasse dos custos ao consumidor final.

O que esperar

Para analistas, a soma de clima adverso, especulação e tarifas já seria suficiente para explicar a alta. Mas a postura política do governo brasileiro diante de Washington pode ter fechado portas de diálogo, tornando a situação ainda mais difícil para produtores e consumidores.

Enquanto a diplomacia brasileira aposta no confronto retórico, quem paga a conta é o consumidor — que verá sua xícara diária cada vez mais cara.

👉 Fontes: Reuters, MarketWatch, Financial Times, Business Insider

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