Indígenas concentram 80% dos casos de chikungunya em Dourados
Município já soma 1.387 confirmações da doença, com mortes em áreas indígenas e dois óbitos ainda sob apuração

Casos de chikungunya disparam em Dourados e agravam quadro nas aldeias
Município já soma 1.387 confirmações da doença, com mortes em áreas indígenas e dois óbitos ainda sob apuração

Casos de chikungunya disparam em Dourados e agravam quadro nas aldeias
A epidemia de chikungunya segue avançando em Dourados e tem atingido de forma mais intensa a população indígena. Dos 1.387 casos confirmados no município, 1.115 estão entre moradores das aldeias, o que representa cerca de 80% do total. As cinco mortes já contabilizadas ocorreram em territórios indígenas, enquanto outros dois óbitos ainda estão sob apuração.
O cenário reforça a gravidade da crise sanitária nas aldeias Jaguapiru e Bororó, localizadas na maior reserva indígena urbana do país, com mais de 20 mil habitantes. Nessas áreas, já foram confirmados mais de 1,1 mil casos da doença. Além disso, os territórios somam 1.608 casos prováveis, 493 ocorrências em investigação e 227 atendimentos hospitalares relacionados ao avanço da chikungunya.
A pressão sobre a rede de saúde também aumentou nas últimas 24 horas. Somente nesse período, Dourados confirmou mais 22 casos, elevando o total de notificações para 3.746. Desse volume, 2.690 são considerados casos prováveis, 1.831 seguem em investigação e 528 foram descartados.
Outro dado que amplia o sinal de alerta é a taxa de positividade, atualmente em 72%. Na prática, isso indica que a maioria das pessoas com sintomas e submetidas a exames teve confirmação da doença. A curva de positividade permanece em níveis elevados, variando entre 72% e 79%, o que mostra que a circulação viral ainda continua intensa no município.
A situação também se reflete nas internações. Atualmente, 46 pessoas estão hospitalizadas por suspeita ou confirmação de chikungunya em Dourados. Os atendimentos envolvem indígenas e não indígenas, incluindo pacientes com diagnóstico já confirmado e outros ainda em análise.
Transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, a chikungunya é uma arbovirose que costuma provocar febre alta e fortes dores nas articulações, sintomas que podem se prolongar por semanas e, em alguns casos, evoluir para quadros crônicos. A doença também pode desencadear complicações neurológicas, cardiovasculares, renais e dermatológicas, além de levar à internação e até à morte em situações mais graves.
O avanço dos números mantém Dourados em estado de atenção, principalmente nas comunidades indígenas, onde a epidemia segue concentrando a maior parte dos casos e dos impactos mais severos da doença.

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