Moradores do PA Flórida vêm permitindo o livre acesso dos caminhões que estão descarregando na área destinada à Unidade de Triagem de Resíduos (UTR), mesmo sem concordar com a instalação da estrutura no assentamento. A decisão de não impedir o trabalho das equipes, segundo relatos, busca evitar confronto direto, sem abrir mão da mobilização e das medidas já tomadas na esfera judicial.
Na manhã de ontem (3), moradores chegaram a bloquear o acesso apenas dos caminhões, à área da UTR no PA Flórida. Diante do bloqueio, a Prefeitura acionou a Polícia Militar para acompanhar a situação e garantir a continuidade do tráfego até o local. Após a intervenção, o fluxo foi restabelecido, mas o clima de insatisfação entre as famílias permanece.
Na semana passada, a Associação dos Moradores do Assentamento Flórida protocolou no Ministério Público um pedido para que seja vetada a instalação da UTR no lote escolhido pela empresa responsável. O argumento central da comunidade é de que a unidade pode impactar a rotina das famílias, alterar o uso do solo na região e trazer riscos ambientais e sociais ao assentamento.
Em conversa com representantes da comunidade, eles afirmaram que entendem que a Prefeitura tem, ao menos até o momento, respaldo legal para destinar galhos de árvores, restos de poda, grama e materiais semelhantes no local. No entanto, segundo eles, o que está sendo observado na prática já não é a simples destinação desses resíduos. Moradores dizem ter registrado uma falta de triagem na coleta, pois produtos deixados no local seriam inerentes a a licença para compostagem. Ressaltam que a compostagem é uma prática importante para a sustentabilidade, pois fecha o ciclo de nutrientes na natureza e reduz o impacto do descarte de resíduos, mas alertam que, da forma como está sendo conduzida, a atividade pode prejudicar o meio ambiente e se transformar em crime ambiental. De acordo com os representantes, ninguém pretende atrapalhar a gestão municipal, mas há a convicção de que alguém será responsabilizado, caso esses detritos estejam sendo manejados fora dos limites legais.
Antes de recorrer ao Ministério Público, os moradores afirmam ter tentado diálogo com o Executivo municipal, buscando a suspensão do processo de licenciamento da UTR ou a escolha de outro local para a instalação. Segundo relatos da comunidade, a gestão manteve a decisão de autorizar a unidade, defendendo que a estrutura não traria prejuízos à vida cotidiana no assentamento.
Além dos moradores do PA Flórida, lideranças de aldeias indígenas situadas nas imediações também se reuniram para acompanhar o caso e avaliar possíveis impactos da instalação da UTR em seus territórios. As comunidades indígenas têm buscado informações técnicas e jurídicas para compreender se a unidade pode representar risco ambiental, cultural ou social na região.
Com o pedido já formalizado no Ministério Público, a estratégia das famílias do assentamento e das comunidades vizinhas é aguardar o desdobramento das medidas judiciais. Caso a paralisação não seja concedida pela via jurídica, moradores afirmam que o tempo mostrará se a decisão de implantar a UTR no PA Flórida será benéfica ou prejudicial para a população local.
Enquanto isso, a comunidade segue em estado de atenção, liberando o acesso dos veículos, mas mantendo a posição contrária à instalação da Unidade de Triagem de Resíduos no assentamento.