A proprietária da Fazenda São Sebastião, Alda Lemos Brito, contestou as informações de que indígenas da Aldeia Buriti teriam retomado e permanecido na propriedade rural localizada em Sidrolândia. Segundo ela, o grupo entrou na área no último sábado (13), mas deixou o local após os episódios de destruição registrados na fazenda.
A produtora rural relatou que três casas existentes na propriedade foram incendiadas, além de um galpão. Conforme seu relato, todos os bens que estavam dentro das edificações foram destruídos pelo fogo.
Alda informou que, no momento da ação, estavam na fazenda dois funcionários, a esposa de um deles e uma criança de dois anos. Segundo ela, quando as equipes policiais chegaram ao local encontraram apenas as estruturas já danificadas.
De acordo com a proprietária, os indígenas chegaram por volta das 14h30 e renderam trabalhadores que atuavam na fazenda.
“Eles entraram, chegaram, algemaram meus funcionários, ameaçaram de morte, mandaram os meus funcionários sair e tacaram fogo na fazenda”, afirmou.
A proprietária também declarou que não houve qualquer mediação prévia por parte da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ministério dos Povos Indígenas ou de outros órgãos federais. Segundo ela, representantes da Funai estiveram na fazenda apenas no domingo (14), quando avaliaram a situação da propriedade.
Durante a entrevista, Alda Lemos Brito mencionou ainda o desaparecimento de máquinas da fazenda. Conforme relatou, os equipamentos foram localizados posteriormente pelas forças de segurança com apoio de um helicóptero da Polícia Militar.
“Nós localizamos a máquina através do helicóptero da PM”, disse.
Segundo a proprietária, equipes da Polícia Militar Tática e da Guarda Rural de Sidrolândia atuaram na ocorrência e permanecem prestando apoio na área. Familiares e funcionários continuam na propriedade.
Alda também destacou que a disputa judicial envolvendo a Fazenda São Sebastião já teve decisões favoráveis à família em diferentes instâncias do Judiciário.
“Nós ganhamos a causa em três instâncias”, afirmou, acrescentando que o processo atualmente tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Versão da Funai
A versão apresentada por Alda Lemos Brito diverge das informações repassadas pela coordenação regional da Funai em Campo Grande.
O coordenador regional da Funai, Dione Alcântara Batista, informou que indígenas retornaram à Fazenda São Sebastião nesta segunda-feira (15). Segundo ele, o grupo está em uma área pertencente à propriedade rural, porém distante da sede da fazenda e das estruturas atingidas durante a ação registrada no último sábado.
A Fazenda São Sebastião está localizada na região do Território Indígena Buriti, área que há décadas é alvo de disputas judiciais e reivindicações territoriais por parte do povo Terena.
Até o momento, não houve manifestação oficial da Funai sobre as acusações de ameaças, incêndios e destruição relatadas por Alda Lemos Brito. O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades e permanece no centro das discussões envolvendo a disputa territorial na região de Sidrolândia.