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Dívida bruta do Brasil chega a 82,5% do PIB e atinge maior nível em cinco anos

Endividamento alcançou R$ 10,9 trilhões em julho; juros e novas emissões contribuíram para avanço da dívida pública

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Dívida bruta do Brasil chega a 82,5% do PIB e atinge maior nível em cinco anos

No encerramento de 2022, a dívida bruta correspondia a aproximadamente 71,7% do PIB. Agora, está mais de dez pontos percentuais acima daquele nível

A dívida bruta do Brasil atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho de 2026, alcançando o maior patamar desde abril de 2021. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central. Em valores, o endividamento chegou a aproximadamente R$ 10,9 trilhões.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) considera as obrigações do Governo Federal, INSS, estados e municípios. O indicador avançou 0,6 ponto percentual em relação a junho.

Juros pressionam dívida pública

Segundo os dados divulgados pelo Banco Central, o aumento registrado em julho foi influenciado principalmente pela incorporação dos juros nominais, responsáveis por impacto de 0,8 ponto percentual, além das emissões líquidas de dívida, com 0,2 ponto percentual. O crescimento do PIB nominal atuou no sentido contrário, reduzindo a relação dívida/PIB em 0,5 ponto percentual.

No acumulado de 2026, a dívida bruta aumentou 3,9 pontos percentuais do PIB. A incorporação dos juros teve impacto de 5,7 pontos percentuais e as emissões líquidas adicionaram 1,5 ponto percentual. O crescimento do PIB nominal e a valorização cambial ajudaram a conter parte desse avanço.

A trajetória já vinha sendo observada ao longo do ano. Em abril, por exemplo, a dívida bruta estava em 80,4% do PIB, equivalente a R$ 10,4 trilhões, segundo o Banco Central.

Maior patamar desde 2021

O nível registrado em julho é o maior em pouco mais de cinco anos. Em abril de 2021, período ainda marcado pelos impactos econômicos e fiscais da pandemia de Covid-19, a dívida havia alcançado cerca de 82,6% do PIB.

A comparação mostra também o crescimento do indicador nos últimos anos. No encerramento de 2022, a dívida bruta correspondia a aproximadamente 71,7% do PIB. Agora, está mais de dez pontos percentuais acima daquele nível.

Projeções apontam dívida ainda elevada

O cenário para os próximos anos continua sendo acompanhado com atenção. No Relatório de Política Monetária de junho, o Banco Central citou projeção do PLDO indicando que a dívida poderia alcançar 87,8% do PIB em 2029, antes de começar uma redução gradual. Já a mediana das projeções de mercado mencionada pelo BC apontava 83,3% do PIB em 2026 e 93,9% em 2030.

Apesar do crescimento da dívida, as contas do setor público apresentaram superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho. No mesmo mês de 2025 havia sido registrado déficit de R$ 66,6 bilhões.

A evolução da dívida pública é considerada um dos principais indicadores da situação fiscal brasileira, porque níveis elevados de endividamento, combinados com juros altos, aumentam o custo de financiamento do governo e tornam mais difícil estabilizar a relação entre dívida e PIB.

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